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Ceará cria projeto inovador para formar dribladores na base
Por Redação FutCeará em 03/08/2026 17:27
O Ceará colhe frutos expressivos de suas categorias de base em Porangabuçu, com atletas como Melk, João Gabriel, Giulio e Enzo Lodovico sustentando mais da metade dos pontos somados na Série B de 2026. Esse protagonismo no elenco principal é acompanhado pelo terceiro lugar do Sub-15 na Copa do Brasil e pela disputa do título estadual pelo Sub-20. Diante desse cenário promissor, a diretoria alvinegra busca dar um salto metodológico para consolidar essa engrenagem formadora.
Como resposta à necessidade de evolução tática e técnica, o clube implementou o projeto inovador denominado "Formando Dribladores". Direcionado aos jovens do Sub-10 ao Sub-15, o programa visa resgatar a ousadia e a capacidade de improvisação individual, qualidades historicamente associadas ao futebol praticado no país, mas que acabaram sufocadas pelo rigor posicional moderno.
A dinâmica de treinamentos diários dessas categorias passará por modificações estruturais profundas. O planejamento inclui duelos individuais de um contra um (X1) com duração de 10 a 15 minutos diários, além de exercícios específicos para simular cenários de pressão. Para estimular a competitividade, a comissão técnica organizará rankings internos semanais e distribuirá bonificações por desempenho em campo.
Como funciona o novo projeto de drible na base do Ceará
A pontuação nos coletivos e atividades táticas será alterada para bonificar a criatividade dos atletas em campo. O sistema de recompensas foi desenhado para incentivar diretamente a busca pelo drible em direção ao gol adversário, conforme detalhado a seguir:
| Ação do Atleta no Treinamento | Pontuação Recebida |
|---|---|
| Gol anotado após superar um adversário no drible | 2 pontos |
| Finalização certeira após passar por dois marcadores no drible | 3 pontos |
Além do incentivo prático, a evolução dos jovens será monitorada de perto por meio de indicadores estatísticos rigorosos. O departamento de captação e transição do Vozão avaliará dados de aproveitamento individual e eficácia nos confrontos diretos, garantindo que o drible seja lapidado como uma ferramenta de tomada de decisão inteligente, e não apenas um recurso plástico vazio.
Hudson Ferreira detalha resgate da identidade do futebol brasileiro
O coordenador técnico da base alvinegra, Hudson Ferreira, é o mentor intelectual por trás da iniciativa. Ele argumenta que o debate sobre os rumos do esporte após os últimos mundiais evidenciou uma perda de identidade técnica que precisa ser revertida com urgência.
"A ideia surgiu de observações do dia a dia de trabalho, principalmente também dessas discussões pós-Copa do Mundo, de resgatar a essência do futebol brasileiro, que a gente perdeu bastante nesses últimos anos. Entendemos que o drible é um recurso técnico fundamental do jogo. Então, também devemos criar ambientes que estimulem o enfrentamento individual, a criatividade e a coragem dos atletas."
Na visão do coordenador, a rigidez tática importada da Europa não deve anular o talento individual que consagrou o país internacionalmente. Hudson pondera sobre o equilíbrio necessário entre a organização defensiva atual e a irreverência do atleta brasileiro.
"O futebol moderno trouxe uma organização coletiva maior, linhas defensivas mais compactas e uma intensidade elevadíssima. Quando o atleta deixa de tentar, ele vai se tornando um jogador comum. O futebol europeu sempre buscou no brasileiro atletas como Ronaldinho Gaúcho e Neymar justamente por essa irreverência, esse drible e essa criatividade."
A busca pelo equilíbrio tático e técnico em Porangabuçu
O grande desafio do projeto reside em ensinar o jovem a identificar o momento exato de arriscar a jogada individual. O drible é tratado como um recurso de elite, mas que deve coexistir com o jogo coletivo e a inteligência tática dentro das quatro linhas.
"O atleta ganha repertório. Quanto maior repertório ele tiver, mais valorizado e mais preparado estará para enfrentar diferentes contextos de um jogo de futebol."
Hudson conclui apontando que a finalidade última é preparar o jogador para escolher sempre a melhor alternativa técnica para a equipe.
"Às vezes, a melhor decisão será o passe. Em outros momentos será finalizar, cruzar ou fazer a jogada individual. Quanto maior o repertório, melhor preparado o atleta estará."
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